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Cooperação pode ser caminho para consolidar o uso do software livre

11-Mai-2007: Bruxelas - Bélgica -

O último do II Worshop Internacional do Projeto Free Libre Open Source Software (FLOSSWorld) foi marcado pela apresentação do cenário do impacto do software livre no Brasil, Argentina, Bulgária, Macedônia e Croácia, e também pela conclusão dos participantes de que a cooperação pode ser um dos caminhos para consolidar o uso de tecnologias de código livre em seus países. Segundo Norberto Torrera, presidente da organização civil argentina que reúne empresários de tecnologia da informação, USUARIA, a maioria dos países latino-americanos ainda não adotam políticas específicas de estímulo à adoção ao uso do software livre.

Torrera citou casos isolados de municípios como Rosário, na Argentina e San José, no Uruguai, onde as prefeituras migraram seus sistemas para o software livre. “A despeito disso, o software livre está ficando cada vez mais presente no âmbito local”, afirmou. Na opinião de Federico Heinz, presidente da organização não-governamental que reúne desenvolvedores argentinos, falta aos países latino-americanos uma legislação efetiva que trate do tema 'open source' e tenha como um de seus focos a liderança tecnológica.

Coordenador do estudo FLOSSWorld no Brasil, com universidades, empresas e desenvolvedores, Rubens Queiroz de Almeida, fez um histórico de como o tema software livre saiu do meio acadêmico no país para tomar conta do ambiente governamental e também empresarial. “Uma das primeiras iniciativas de massificar o tema foi a realização do primeiro evento internacional de software livre no Rio Grande do Sul, o FISL, em 2000. Depois, o governo Lula adotou o software livre como prioridade em suas políticas de gestão de sistemas de informação”, recordou Queiroz.

Para ele, o tema 'open source', hoje, é uma prioridade nacional. “Na universidade ainda está se consolidando, mas evolui devagar. O lado positivo que vejo é que não há volta, a solução tecnológica está no mundo 'open source', com certeza”, avaliou. O presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Renato Martini, citou dois exemplos do esforço do governo brasileiro em estimular o software livre, os programas 'Um computador para Todos' e 'Um computador por Aluno'. Ambos vinculam a aquisição de computadores que funcionem com software livre. “Há um engajamento claro do governo brasileiro no estímulo ao uso das tecnologias de código aberto”, afirmou.

A coordenadora técnica do FLOSSWorld na Bulgaria, Julia Velkova, que trabalha na entidade não-governamental Sociedade da Internet, revelou aos participantes do II Workshop Internacional do projeto que o software livre ainda é um tema muito insipiente na Croácia e na Macedônia. “O governo croata baixou uma portaria que recomenda o uso de tecnologia 'open source', mas não há um estímulo efetivo. Além disso, há programas de software livre em redes, mas não nos desktops, ou seja, ainda não é comum seu uso por parte dos usuários individualmente”, observou.

Já na Bulgária, o software livre é realidade em 70% dos sistemas de governo segundo Julia Velkova. Ela lembrou que, embora o tema tenha evoluído relativamente nos últimos anos em seu país, ainda há uma predominância do software proprietário.

O coordenador-geral do FLOSSWorld, Rishab Ghosh, da Universidade de Maastricht, concluiu os trabalhos do evento, ressaltando que, ainda que o projeto científico tenha sido concluído com a compilação dos questionários sobre o impacto do software livre, a iniciativa pode e deve ter continuidade. “Os parceiros devem se integrar e buscar parcerias”, disse. Ghosh lembrou ainda que os relatórios regionais estarão prontos em junho, quando deverão ser divulgados publicamente na página do projeto, cujo endereço é www.flossworld.org.