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Projeto científico financiado pela UE mostra impacto do software livre no mundo

09-Mai-2007: Bruxelas - Bélgica -

Resultado de estudo sobre tecnologias de código aberto será apresentado no II Workshop Internacional do Projeto FLOSSWorld

Um levantamento detalhado da adoção de soluções tecnológicas em código aberto pela sociedade, governo, mercado e a academia será apresentado nos próximos dias 10 e 11 em Bruxelas, capital da Bélgica. Trata-se do II Workshop Internacional do Projeto Free Libre Open Source Software (FLOSS), que reúne 17 organizações que representam o governo, desenvolvedores e pesquisadores de 12 países de todo o mundo. O projeto FLOSSWorld é financiado pela Comissão Européia e envolve países como o Brasil, Argentina, Bulgária, China, Croácia, Índia, Malásia e África do Sul, além da Holanda, Inglaterra e Espanha pelo lado europeu.

No Brasil, duas instituições fizeram o levantamento sobre o uso de tecnologias abertas, chamadas no mundo tecnológico de 'open source'. O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) aplicou os questionários elaborados pela Universidade de Maastricht, da Holanda, nos órgãos de governo. E a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) fez o levantamento junto a instituições de ensino superior, desenvolvedores e empresas.

É a primeira vez, depois de encontros regionais realizados no ano passado e neste ano, que todos os parceiros se reúnem para consolidar os dados da pesquisa sobre o impacto do software de código aberto. Foram dois anos de anos de trabalho, período no qual os parceiros estudaram a capacidade humana e o atual estágio de maturidade das comunidades de desenvolvedores de 'open source', bem como o uso do software livre nos governos.

Na avaliação do presidente do ITI, Renato Martini, o resultado final do projeto FLOSSWorld, que será apresentado em Bruxelas, ajudará o Brasil a definir sua política tecnológica, além de permitir que se tenha uma visão real do uso do software livre em países com nível de desenvolvimento econômico semelhante ao do Brasil. "É a primeira vez que se tem uma visão global do mundo open source. É um trabalho muito útil não só para avaliar o que melhor nos convém, mas também para dirigir um olhar para o que é feito em países com desenvolvimento tecnológico parecido como nosso", disse Martini, que está em Bruxelas para subsidiar a apresentação da América Latina.

O relatório regional da América Latina, que inclui os dados brasileiros, será apresentado pela entidade civil Usuaria, sigla para Asociación Argentina de Usuarios de Informatica e Comunicación. No resultado do estudo brasileiro, está o levantamento feito no governo pelo ITI, que obteve a resposta de 23 órgãos de governo, dentre eles ministérios, prefeituras, judiciário e empresas públicas. Também será divulgado o estudo liderado na Unicamp pelos pesquisadores Rubens Queiroz de Almeida e Hans Liesenberg, que obtiveram resposta de 74 administradores e coordenadores de instituições de nível superior, 543 desenvolvedores e 363 empresas.

Hoje (9/05), os parceiros se reúnem em encontro privado para tratar das questões adminstrativas e financeiras do projeto. O evento público começa amanhã (10/05) com a apresentação do coordenador técnico da pesquisa mundial, o professor Rishab Ghosh, da Universidade de Maastricht. Depois, serão apresentados os relatórios da Ásia Leste pelo pesquisador Maoke Chen, da Universidade de Beijing e da Ásia Sudeste, pela pesquisadora Aparna Ramamurthy, do Centro para o Desenvolvimento de Computação Avançada, da Índia e por Agnes Ng, da MIMOS Bhd, da Malásia. Também amanhã, os pesquisadores sul-africanos Enver Ravat e Pumeza Ceza, da Universidade de Cidade do Cabo e do Instituto Meraka, apresentam o relatório regional da África. Na conclusão do primeiro dia, os relatores regionais vão discutir sobre as diferenças entre os projetos de adoção de software livre nas diferentes regiões do mundo.