Presidente do ITI fala sobre interoperabilidade em evento na Argentina
21-Ago-2007:
Brasília - DF
O uso da tecnologia da informação e comunicação (TICs) nos diversos segmentos dos setores público e privado é uma importante ferramenta para a competitividade dos países e de sua sociedade. Ciente do papel estratégico da apropriação dessas tecnologias, a Associação Argentina de Usuários de Informática e Comunicações (Usuaria) promove até amanhã (22/08), em Buenos Aires, o X Congresso Nacional de Informática e Comunicações, como o tema “Construindo uma Agenda Digital para uma Argentina Competitiva”.
O evento é voltado para diretores do setor público e empresas, executivos, organizações da sociedade civil, políticos e meios de comunicação que irão debater projetos de TIC em áreas como finanças, indústria, energia, saúde. O presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), Renato Martini, participa do evento com o painel “Interoperabilidade na Agenda Digital”. Ele mostrará como o Brasil implantou a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil) e qual é o cenário da certificação digital hoje, depois de seis anos. Com o resultado dos debates, será elaborado um plano diretor para o desenvolvimento de TIC e de uma agenda digital argentina.
Em maio, por ocasião da apresentação dos relatórios regionais do projeto Free Libre Open Source Software (FLOSSWorld), em Bruxelas, na Bélgica, o tesoureiro da Usuaria, Norberto Torrera, concedeu a seguinte entrevista ao sítio do ITI:
ITI -
Como é a atuação da USUARIA na área de Tecnologia da Informação e, especificamente, na área de open source (tecnologias abertas)?
Torrera - A USUARIA é uma associação civil – entidade sem fins lucrativos – criada em 1981 com o objetivo de defender os interesses dos usuários que utilizam a tecnologia da informação e da comunicação, como difundir a utilização e impulsionar o seu emprego de forma racional e ética, buscando diminuir a exclusão digital.
Na ocasião, o setor estava em expansão, e a USUARIA tinha por objetivo evitar que as medidas econômicas de natureza protecionista, que cobravam dos usuários valores excessivos pela tecnologia, levasse o país a um considerável atraso nessa área.
Atualmente, o fenômeno da globalização dos negócios e a abertura das economias levaram a entidade a ampliar o foco do seu objetivo, com pontos importantes como: difusão da tecnologia da informação e da comunicação, aproveitando as possibilidades que se abrem para o país diante de uma maneira cada vez mais revolucionária de fazer negócios no mundo; gerar atividades de capacitação e difusão da tecnologia apontando para a diminuição da exclusão digital; criação de um intercâmbio de experiências e pontos de vista entre os usuários da tecnologia de informática e comunicações; e defesa dos princípios de ética e competitividade nos negócios da área.
Na área de
open source, a abordagem foi levada adiante para satisfazer a demanda de informação e o reconhecimento da adoção do software livre nas organizações do nosso país. Diferentes comunidades de software livre se uniram e desenvolveram eventos para debater o tema. A participação da USUARIA no projeto FLOSSWorld, e também da Fundação Vía Libre (FVL), da Argentina, do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI) e da Universidade de Campinas (UNICAMP), permitiu conhecer o estágio de desenvolvimento do software livre na região.
ITI -
O que significa a adoção de tecnologias abertas (FLOSS) para as empresas?
Torrera - O software livre/open source é uma forma de criar tecnologia que demonstre capacidade de gerar softwares competitivos, tanto em sua qualidade como continuidade. As empresas estão pensando no software livre como uma alternativa totalmente viável e que não pode ser ignorada ou deixada de lado. Ter informações sobre o movimento do mundo FLOSS, seu crescimento tanto em comunidades de programadores, como de usuários e empresas, é de importância fundamental para as decisões que serão tomadas para a aquisição desse tipo de software.
ITI -
A União Européia financiou o projeto Free Libre Open Source Software (FLOSSWORLD), para avaliar o impacto do uso de software livre em países emergentes, como o Brasil, a Argentina, China, dentre outros. O que significou para a USUARIA, integrar este projeto?
Torrera - A importância desse projeto para a USUARIA e para a comunidade do software livre está, por um lado, no seu aspecto comunicativo e, por outro, como uma potencial ferramenta para tomar decisões de adoção de políticas. Neste sentido, a informação vinda do FLOSS tem sido uma fonte de argumentos muito fortes para a adoção do Software Livre em projetos no nosso país.