Software livre carece de infra-estrutura para atingir mercado brasileiro
01-Jun-2006:
Brasília
Programas de código aberto podem ser afetados por falta de políticas no setor
O mercado de software livre cresce no mundo inteiro e embora ainda não seja amplamente conhecido, pode ser considerado um vitorioso do ponto de vista tecnológico. Essa é uma das idéias defendidas por Renato da Silveira Martini, Diretor-Presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, órgão que regula as atividades relacionadas à TI no país.
Martini foi um dos palestrantes do 30º Fórum de Debates Projeto Brasil, que tratou da política nacional de software. Durante a apresentação, ele abordou a questão ideológica por trás da discussão e quais melhorias poderiam ocorrer caso houvesse uma implementação maciça desses programas.
Vantagens dos softwares de código aberto (software livre)
-Podem alcançar grande qualidade no desenvolvimento - graças à interação entre usuários e fabricantes.
-Não existem restrições setoriais para o uso.
-Imposição de limites ao livre compartilhamento de informações não é mais viável.
Segundo Renato Martini, o papel do Governo é muito importante, mas a simples inserção de softwares não patenteados no setor público não dá o suporte necessário ao mercado. Para que o uso de software livre no Brasil se torne possível, o diretor do ITI aponta as principais carências do setor:
1. Investimento em infra-estrutura, o que não diz respeito apenas às melhorias físicas e tecnológicas.
2. Educação
3. Políticas de empregos
4. Recapacitação e requalificação profissional
5. Uso intensivo de fundos governamentais
6. Políticas de taxas
Para Martini, três modelos estão envolvidos no desenvolvimento do setor:
- Tecnológico: Essa esfera trata das tecnologias a serem utilizadas. Nesse caso, Open Source e padrões abertos.
- Serviços: Envolve a gama de funções e possibilidades de uso que a implementação de tecnologia pode proporcionar.
- Negócios: Trata da geração de receita através dos itens acima listados.
Embora os modelos tecnológicos e de serviço já estejam de certa forma estruturados, a parte que abrange os negócios ainda é uma lacuna. Movimentar grandes cifras lidando com um bem que pode ser facilmente copiado é o centro da questão econômica do mercado open source.
No Brasil, a implementação estruturada do software livre está ligada diretamente às necessidades já citadas. Martini afirma que apenas um profundo estudo da situação pode trazer benefícios concretos ao país, o que inclui discussões sobre certificados, licenciamento de softwares e leis de proteção à propriedade intelectual, que já é vista como uma prioridade na Europa.
Mesmo citando conquistas no mercado interno, como o Pro-Uni (projeto do Governo Federal desenvolvido totalmente por meio eletrônico), o Diretor-Presidente da ITI aponta que nos próximos anos o Brasil vai encontrar dificuldades no setor. Ele acredita que se não houver planejamento, os avanços do exterior podem passar despercebidos, ou seja, sem a possibilidade de criação de empregos.