Momento histórico marca união dos tribunais em prol da modernização
03-Out-2005:
Brasília - DF
Pela primeira vez na história do Judiciário brasileiro, todos os
tribunais superiores se unem em convênios que possibilitarão um salto
tecnológico na prestação jurisdicional. Os presidentes desses
tribunais assinaram na última sexta-feira (30/09), no Tribunal Regional Federal da 2ª
Região, no Rio de Janeiro (RJ), convênios para adesão à Autoridade
Certificadora da Justiça – AC-JUS e para implementação do malote
digital e do Portal da Justiça Brasileira. Mediante a congregação
desses tribunais, os projetos permitirão a troca ágil e precisa de
informações e viabilizarão o trâmite processual eletrônico.
"O Poder Judiciário está dando um exemplo para o Estado brasileiro",
observou o ministro Edson Vidigal, presidente do Superior Tribunal de
Justiça (STJ) e do Conselho da Justiça Federal (CJF), durante seu
discurso na solenidade. Ele chamou a atenção para a iniciativa inédita
de união de forças entre todas essas instituições, fato também
ressaltado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro
Nelson Jobim. Para o ministro Vidigal, as outras esferas de poder do
Estado também devem se espelhar nessa "junção de esforços e de
idéias".
De acordo com o ministro, os diversos projetos voltados à
informatização do Judiciário, em relação aos quais o STJ e o CJF,
juntamente com a Justiça Federal, estão na dianteira, representam
"sonhos bem sonhados, porque sonhados com os pés no chão". Prova disso
é a concretização de alguns desses projetos, como a AC-JUS. "Estamos
em uma transição. Em breve abandonaremos o papel", enfatiza o
presidente do CJF e do STJ. Além da economia para os cofres públicos,
a redução do uso de papel representa um ganho para o meio ambiente,
ressalta o presidente Vidigal.
O sistema de certificação digital, segundo ele, permitirá que o
processo tenha início, já em meio eletrônico, no escritório do
advogado. "O processo tramitará de clique em clique", profetiza.
Outro exemplo mencionado por ele é o Diário da Justiça on-line,
previsto no Projeto de Lei Complementar nº 71, em tramitação no
Congresso Nacional. Com essa publicação eletrônica, de acordo com o
ministro Vidigal, a economia de recursos estimada apenas para o STJ e
a Justiça Federal será de R$ 5 milhões. O jurisdicionado ganhará,
ainda, com a agilização nos prazos processuais, que passarão a contar
a partir da publicação on-line.
O presidente do STF, ministro Nelson Jobim, elogiou a iniciativa de
criação do Portal da Justiça Federal, segundo ele, o embrião de um
projeto maior, que congregará todo o Judiciário brasileiro no Portal
da Justiça Brasileira. "Este é um momento de tentativa de coesão do
sistema judicial brasileiro", ressalta. O grande legado que esta
geração de líderes do Judiciário pode deixar, para o ministro Jobim, é
o de enfrentar o histórico problema do isolamento entre as
instituições.
Somente essa união de forças, na visão do presidente do STF, poderá
fazer frente aos problemas da morosidade e da ineficiência em certos
setores da prestação jurisdicional. O sistema de malote digital,
objeto de um dos convênios, de acordo com o ministro, viabilizará a
captação dos dados processuais sem que haja duplicidade ou necessidade
de nova digitação, além de reduzir as dificuldades na pesquisa desses
dados, porque será baseado em um banco único. "Erudição nós já temos.
O de que precisamos agora é de eficiência", sintetiza o ministro
Jobim.
O presidente da Comissão para Padronização Tecnológica da Justiça
Federal, juiz federal Sérgio Tejada, também enfatizou o caráter
histórico da solenidade. "As noções de tempo e espaço nunca mais serão
as mesmas. O Poder Judiciário deixará de trafegar no mundo do átomo e
passará para o mundo digital", diz o juiz. Ele lembra que os ganhos
proporcionados pela substituição do papel pelo meio digital serão
inúmeros.
Dados de uma pesquisa apresentados pelo juiz Tejada revelam que, em
uma determinada região da Justiça Federal, foram comparados os prazos
das sentenças proferidas nas varas tradicionais e nos juizados
especiais federais. Entre janeiro e julho de 2005, contando desde a
data de distribuição até o julgamento em primeiro grau, enquanto nas
varas tradicionais o tempo foi de 789,51 dias, nos juizados especiais
federais que utilizam somente papel foi de 525,60 dias, nos juizados
que mesclam o uso do papel com o processo eletrônico foi de 239,23, e
nos juizados que utilizam o processo totalmente eletrônico foi de
apenas 37,83 dias.
Os convênios foram assinados pelos presidentes do STJ e do CJF,
ministro Edson Vidigal; do STF e Conselho Nacional de Justiça,
ministro Nelson Jobim; do Tribunal Superior do Trabalho, ministro
Vantuil Abdala; do Superior Tribunal Militar, ministro Max Hoertel,
representado pelo vice-presidente, ministro Flávio Flores da Cunha
Bierranbach. O ministro Carlos Velloso, presidente do Tribunal
Superior Eleitoral, e o presidente do Colégio Permanente de
Presidentes dos Tribunais de Justiça, desembargador José Fernandes
Filho, estiveram ausentes na solenidade, mas também assinarão os
convênios.
Convênio AC-JUS
A AC-JUS, que no início abrangia o CJF, o STJ e os cinco tribunais
regionais federais, recebeu um pedido de adesão dos demais tribunais
superiores. Em sessão do CJF realizada na última segunda-feira (26/09),
foi referendada a alteração da resolução que institui o Comitê Gestor
da AC-JUS, para incluir esses tribunais.
Primeira de seu gênero no Poder Judiciário mundial, a AC-JUS é uma
autoridade certificadora da Infra-estrutura de Chaves Públicas
ICP-Brasil. Sua tecnologia permitirá que sejam criptografados e-mails,
documentos e arquivos em meio eletrônico, inclusive processos,
certidões e outros expedientes assinados pelos juízes.
Convênio Malote Digital
O malote digital é um sistema automatizado que permite a troca
automática de informações processuais entre os tribunais. Por esse
sistema, as informações relativas aos processos que sobem em grau de
recurso para o STJ ou para o STF podem ser transferidas
automaticamente, reduzindo de 15 dias para apenas 24 horas o tempo
necessário à autuação (registro) desses processos.
Convênio Portal da Justiça Brasileira
O Portal da Justiça Brasileira surge a partir do modelo já implantado
na Justiça Federal – o
Portal da Justiça Federal, criado mediante parceria entre o CJF e os
cinco TRFs, que reúne em um só endereço web serviços e informações
relativas a todas essas instituições. Nesses mesmos moldes, o Portal
da Justiça Brasileira reunirá, além do STJ, CJF e TRFs, os demais
tribunais superiores, o Conselho Nacional de Justiça e os tribunais de
justiça dos estados. A idéia é agregar informações que permitam uma
visão global do Judiciário brasileiro, além de ferramentas de consulta
unificadas, como o andamento processual e as estatísticas processuais.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Conselho da Justiça Federal