Governança da Internet, custos de conectividade e software livre concentram disputas na região
05-Mai-2005:
Quito-Equador
O modelo de governança da Internet brasileiro, em contraposição a atual
estrutura sob o domínio do ICANN, uma entidade civil com sede nos
Estados Unidos, é uma das tensões presentes na reunião técnica regional
que se realiza em Quito, Equador. O modelo brasileiro é citado como uma
experiência avançada ao manter uma ampla interlocução com os setores
interessados na gestão da Internet, entendida aí como um bem público.O
modelo conta com eleição dos representantes da sociedade civil e do
setor privado e é um espaço de amplo debate das questões relacionadas ao
tema.
Diretamente vinculada a esta questão encontramos a discussão
sobre infraestrutura de conectividade na região. As limitações da
infra-estrutura hoje disponível acarreta nos elevados custos de acesso a
banda Internet e, principalmente, é um forte entrave para projetos de
inclusão digital em escala, nacionais, com telecentros comunitários,
como exemplo.
Os elevados custos de gestão do tráfego de dados na Internet são um
obstáculo para a universalização do acesso dos países em
desenvolvimento, e em particular, para os setores
sociais desfavorecidos de recursos.
Como se sabe, o tráfego de dados na
Internet depende de servidores centrais (chamados de raízes) localizados, quase todos, nos
Estados Unidos. Esta operação faz com que não exista o compartilhamento de custos de conectividade, inclusive se os usuários dos Estados Unidos buscam informações em sitios de outros países.
Atualmente não existe nenhum acordo internacional para compartilhar os custos para os países em desenvolvimento.
A questão do software livre, também, foi alvo de debates importantes.
A meta era estabelecer um grupo de trabalho para promover intercâmbios na região para o desenvolvimento de software livre. Incluía o compartilhamento de estudos
e elaboração de um inventário regional de experiências com software de
código aberto e software livre para ser apresentado durante a segunda
fase da Cúpula Mudial, em novembro próximo, em Túnis, Tunísia.
A proposta foi defendida pela delegação do Brasil com apoio declarado pelas delegações
da Argentina, Chile, Uruguai e República Dominicana, entre outras. No
entanto, os delegados do México, El Salvador e Equador defenderam a inclusão de soluções com
software proprietário, buscando anteparo na idéia de neutralidade
tecnológica. Como não houve consenso, será dada nova redação ao tema
e voltará a ser discutido amanhã, 06/05.
(Com a colaboraçao da Rede de Informação do Terceiro Setor - RITS)