Inclusão digital para o exercício da cidadania
10-Mar-2005:
Brasília-DF -
O Seminário preparatório para a 3ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, que está sendo realizado até amanhã, sexta-feira (11/03), em Brasília, discute como usar a CT&I para promover a inclusão social sob diferentes prismas – cidadania, educação, emprego e renda, habitação, meio ambiente, saúde e segurança.
A necessidade de uma política pública para inclusão digital foi o tema da palestra de hoje (10/03), do presidente do ITI, Sérgio Amadeu. Para Amadeu, em uma sociedade em rede, em que a comunicação é mediada pelo computador, a revolução informacional está no controle das tecnologias. Até o momento, porém, as tecnologias têm gerado mais desigualdades que igualdades, aumentando ainda mais as diferenças entre os países ricos e pobres.
Nessa sociedade em rede, explica Sérgio Amadeu, a garantia do direito ao acesso à informação é uma forma de exercício da cidadania. Esse pode ser um canal importante para se cobrar outras ações dos Estado e promover o desenvolvimento efetivo do governo eletrônico no país, que hoje está centrado em serviços de arrecadação voltados para os “incluídos”. “Se não enfrentarmos a exclusão digital no Brasil, teremos uma exclusão cognitiva, isto é, teremos uma grande massa de pessoas não aptas a lidar com a tecnologia, os chamados analfabetos digitais”, ressalta.
Segundo o presidente do ITI, a inclusão digital não é apenas dar computador, conexão e Internet à população. É capacitar as pessoas e levar conhecimento utilizando as tecnologias da informação. O maior custo de um projeto de inclusão digital não são o computador e a conexão, mas sim a capacitação de monitores e responsáveis pela disseminação do conhecimento. São esses multiplicadores que atuarão nas pontas, seja em telecentros comunitários ou mesmo em escolas, auxiliando a comunidade ou alunos a descobrirem o potencial dessas novas ferramentas.
Na opinião de Amadeu, um projeto de inclusão digital terá que responder a seis perguntas principais. O formato das unidades de inclusão, as opções tecnológicas que serão adotadas, as atividades que estarão disponíveis aos usuários, o funcionamento das unidades, a sustentabilidade dos centros e a participação da comunidade são aspectos fundamentais a serem definidos.