Pesquisadores do MIT apresentam idéias e projetos sobre novas tecnologias
01-Jun-2005:
Brasília-DF
Dois dos principais cientistas e coordenadores do Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Walter Bender e David Cavallo, estiveram ontem no auditório do Ministério das Comunicações para apresentar as idéias e projetos conduzidos pelo instituto, reconhecido mundialmente pela pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias de informação e suas aplicações no campo social.
Em suas apresentações, Bender e Cavallo falaram sobre as pesquisas de novas formas de aprendizado realizadas pelo instituto em comunidades da Malásia, China e mesmo no Brasil, nas cidades de São Paulo e Manaus. “Por meio dos computadores as comunidades poderão desenvolver outras formas de usar a tecnologia. Nosso objetivo está do lado da educação e de poder disseminar o acesso a todos. É a abertura da tecnologia que transfere o conhecimento para o crescimento local e para o empreendedorismo", disse Cavallo.
Os pesquisadores do MIT aproveitaram para anunciar o Projeto Laptop de US$ 100, voltado para a promoção do uso da tecnologia como ferramenta da educação. Para os cientistas, os laptops podem funcionar como um catalisador do compartilhamento de conhecimento. Por isso, segundo eles, é importante que o computador seja levado para casa e não fique apenas nas escolas. “Ele deve ser levado para casa e ser usado em família; o computador deve fazer parte da vida da comunidade e transformá-la", defendem.
Um dos segredos para se reduzir o preço do equipamento está na tecnologia de projeção da imagem em vez de usar uma tela plana comum. Além disso, o laptop funcionará com o sistema operacional GNU/Linux, cujo uso é gratuito. A idéia é “cortar as gorduras” do computador. A configuração da primeira geração do laptop de US$ 100 seria um processador de 500 Mhz , 128 Mb DRAM, 1 Gb de memória flash no lugar de um disco rígido e seria equipado com um monitor de LCD monocromático de 12 polegadas e quatro portas USB.
O assessor do ministro das Comunicações, Jean-Claude Frajmund, lembrou que a idéia de se produzir micros mais acessíveis é uma das ferramentas do Programa Brasileiro de Inclusão Digital. Segundo ele, se o Brasil não encontrar uma solução para a questão, poderá perder a corrida tecnológica para países como a China. "Estamos falando da melhoria da distribuição do conhecimento, que no Brasil é muito centralizada. O governo precisa traçar diretrizes públicas e ser estimulado, mas a indústria, as escolas e a sociedade também precisam se interessar".