Criado comitê para definir padrões de interoperabilidade
04-Nov-2003:
Brasília
Redução de custos, maior possibilidade de fiscalização, agilidade nos processos, informações mais rápidas e seguras. Essas podem ser algumas conseqüências das definições do Comitê de Interoperabilidade do Governo Eletrônico, criado ontem (03/11) ao final do Seminário de Interoperabilidade realizado no Serpro.
O Instituto Nacional de Tecnologia da Informação - ITI, a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação – SLTI e o Serpro, serão os órgãos gestores desse processo, que deverá envolver todos os sistemas estruturadores. O diretor de Infra-Estrutura de Chaves Públicas do ITI, Renato Martini, explica que será necessário propor alguns padrões para que, por meio de uma ferramenta de internet, todos os bancos de dados possam ser acessados, simplificando a busca por informações.
“Poderá ser colocada uma camada XML, permitindo que as informações sejam acessíveis via internet. Todo esse trabalho terá como foco o cidadão que, por sua vez, não precisará entender a lógica e as particularidades do Estado para poder encontrar a informação necessária”, ressaltou Martini.
A contatração de um servidor público recém admitido é um exemplo simples de como se dará a redução de custos aliada a simplificação dos processos. Atualmente, é necessário que os dados desse servidor sejam cadastrados diversas vezes em inúmeros sistemas. Isso se deve ao fato de cada um deles ter uma chave diferente para designar uma mesma informação. Com as alterações, os sistemas estarão integrados e impedirão que seja feita uma busca nos diversos bancos de dados por meio de várias nomeclaturas. Ou seja, haverá uma uniformização das palavras-chave dos servidores.
Já a padronização da entrada de dados, possibilitaria, por exemplo, que fosse feito um cadastro único. Isso daria agilidade às novas informações, que se alastrariam para outros sistemas de forma automática. O resultado desse novo modelo evitaria imprecisões no sistema, viabilizaria o cruzamento dos dados, facilitando, por exemplo, as atividades de um processo de auditoria.
Apesar de, aparentemente, ser um procedimento simples, o Secretário de Logística e Tecnologia da Informação, Rogério Santanna, disse que será necessário uma ampla negociação dentro do governo, já que todos os órgãos concordam com a padronização, mas defendem o uso de seus padrões.
IMPACTOS NO MERCADO
As definições também terão impacto nos fornecedores de produtos. Por exemplo, o ITI colocou em consulta pública definições de padrões para smart-card (cartões inteligentes) e tokens para uso geral em certificação digital. A iniciativa fará com que os produtores desses dispositivos tenham que se adequar para poder atender às definições.
Martini ressalta que isso defende os interesses da sociedade. Em vez de adotar-se um padrão proprietário, definido por uma empresa com mais poder de mercado, está se possibilitando a concorrência entre os produtores. Como conseqüências, os custos finais para o consumidor se reduzirão e serão obtidos produtos interoperáveis.