Câmara de Software Livre quer democratizar domínio da tecnologia
18-jul-2003:
Brasília - DF -
O objetivo da implementação do software aberto e não-proprietário no governo federal não se justifica apenas pela economia de recursos, mas principalmente pelo domínio da tecnologia por parte dos usuários, os quais têm a capacidade de trabalho fortalecida com mecanismos mais seguros, confiáveis e apropriados ao processo criativo e informativo. Essa foi a tônica da apresentação do coordenador-geral da Diretoria de Infra-estrutura de Chaves Públicas do ITI, Evandro Luiz de Oliveira, na quarta reunião da Câmara de Implementação de Software Livre, realizada nesta quinta-feira (17/07) no Ministério das Comunicações.
Em sua exposição, Oliveira defendeu a adoção de soluções baseadas em software livre para resolver problemas com licenciamentos de programas de computadores utilizados na estrutura federal, proporcionar sobrevida de parte do conjunto dos equipamentos da União e elevar o nível de segurança no uso da tecnologia por meio da utilização de mecanismos de certificação digital.
De acordo com o coordenador-geral, três são os principais problemas que podem ser solucionados com o trabalho da Câmara, coordenada justamente pelo ITI. “Os recursos aplicados em Tecnologia de Informação são, na maioria dos casos, direcionados à capacitação de pessoal e pagamento de licenças de programas proprietários. Esses recursos não promovem o desenvolvimento local, além de não permitirem o crescimento qualitativo equivalente ao usuário de informática”, afirmou Oliveira.
Outro problema citado por ele foi a crescente demanda por renovações de licenças e novas “certificações” contidas em contratos, que levam à necessidade da troca de equipamentos de hardware mesmo que as funcionalidades dos programas não tenham sido superadas.
Para completar, o coordenador do ITI lembrou que os limites orçamentários provocam cortes em vários segmentos das organizações públicas. “O setor de TI (Tecnologia da Informação) é, muitas vezes, o mais penalizado. Como os funcionários desse setor não podem deixar de dar suporte à infra-estrutura dos demais setores, eles acabam optando por soluções consideradas convencionais, mas que são, na realidade, padrões impostos pelos prestadores de serviços”, completou.
Três projetos que já estão em andamento dentro do governo federal foram apresentados por Oliveira: a própria migração da rede ITI para uma plataforma em que será utilizado o sistema operacional GNU/Linux Libertas 2.0, construído na Prodabel, Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte; a elaboração do projeto técnico “Radiobrás Segura” e a análise do sistema da Imprensa Nacional.